quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Qual é o destino favorito dos brasileiros?

Que o número de brasileiros que viajam para fora do país aumentou, isso já sabemos. Em Portugal então, nem se fala. Nos hotéis, lojas e restaurantes é notável a presença desse povo, que adora fazer compras, comer bem e falar alto. Só no primeiro trimestre desse ano, o número de brasileiros em Portugal aumentou 55%, segundo o INE.  Entre os oito principais mercados internacionais para a hotelaria portuguesa, depois do Reino Unido com 34%, aparece o Brasil com um aumento de 22%. Assim nos informa o blog Portugal sem Passaporte.

Mas a verdade é que o destino favorito dos brasileiros não é Portugal, França, Argentina nem os Estados Unidos. O destino favorito dos brasileiros é o free shop.



Todas as vezes que viajo alguém sempre tem alguma encomenda. Whisky e cremes hidratante Victoria Secret são os mais pedidos. É incrível o desespero das mulheres para comprar perfumes, chocolates e óculos escuros no free shop de São Paulo.  Como as lojas estão concentradas num único espaço, é possível ver com mais clareza o consumismo geral.

Eu tenho pavor de free shop. Depois de quase 10h de voo, como é o caso do voo Lisboa - São Paulo, passar entre prateleiras, vendedoras e fila de caixas é uma tortura para mim. Mas isso é para mim. Para a maioria das pessoas, é um prazer. 

Li essa crónica do Ricardo Freire há um tempo atrás e para quem gosta de fazer umas comprinhas antes e depois do voo, talvez goste também.

Qual o destino de viagem preferido do brasileiro no exterior? Orlando, você vai dizer, de supetão. Se conhecer as estatísticas, vai falar Buenos Aires. Dependendo do seu círculo de amizades, talvez arrisque Nova York ou Londres ou Barcelona. Espíritos românticos dirão Paris. Já ouço reclamações vindas aí de trás por eu não ter ainda mencionado Itália ou Portugal.

Se você pensou num desses lugares, lamento: errou. O lugar preferido do brasileiro no exterior é o Free Shop.
Como eu sei disso? Tenho um site sobre viagens. Recebo mais perguntas sobre free shops do que sobre qualquer atracção turística onde quer que seja.

Tome por exemplo Buenos Aires. Por mais que os guias e reportagens descrevam a capital da Argentina como a terra do ojo de bife, do Malbec e do bandoneón, no imaginário brasileiro trata-se do free shop mais próximo de casa.

Há poucos meses pensei que o povo brasileiro fosse pegar em armas para tentar reverter a transferência de inúmeros vôos do aeroporto de Ezeiza (o Cumbica de Buenos Aires, a uma hora de viagem) para o Aeroparque (o Congonhas portenho, do ladinho do centro). Tudo porque o free shop do Aeroparque tem um quinto do tamanho de Ezeiza. Mas desde então tenho percebido um aumento nas viagens a Buenos Aires com conexão em Montevidéu. Imagine: dois free shops numa viagem só! Isso sim são férias.

Tá pensando o quê? Brasileiros trocam acarajés e caipiroskas arretadas no Nordeste por daiquiris aguados e piñas coladas xaroposas no Caribe só pela possibilidade de fazer uma fezinha no free shop.
É fácil entender essa fixação. Somos o povo mais oprimido por impostos do planeta. É maravilhoso poder pisar nesses lugares em que você não paga nada para o governo para se maquiar, se perfumar, se embebedar ou arranjar um câncer de pulmão. O novo IOF no cartão estragou um pouco a brincadeira, mas nada que viajar com um bolo de dinheiro vivo não resolva.

No free shop tudo é chique. Só tem grife, do chocolate à almofadinha inflável de pescoço. E todo cliente é importante: são lojas freqüentadas apenas por viajantes internacionais!
E qual é o segundo destino de viagem preferido do brasileiro no exterior? Fácil: é o Outlet. 

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