segunda-feira, 12 de março de 2012

Pré-pago ou pós-pago? Minhas experiências com a prestação de serviços em Portugal.

Um dos objetivos dos Bules é transformar experiências privadas em facilidades públicas. Por isso, hoje descrevo algumas experiências não muito agradáveis que tive com empresas daqui de Portugal.

No fim do ano passado resolvi ir embora de Portugal para retornar ao Brasil e por isso tive que encerrar alguns serviços que tinha contratado. Afinal, não estaria aqui para usufruir dos serviços e muito menos para pagá-los. Cancelei minha inscrição no ginásio Holmes Place onde era realizado débito direto em conta, fechei a conta que tinha no banco Caixa Geral de Depósitos, informei a TMN que não utilizaria mais seus serviços e solicitei o cancelamento de minha conta pós-paga.

No primeiro caso, no Holmes Place, mais de um mês depois de ter saído do ginásio, fui informada que não poderiam cancelar minha inscrição pois no contrato constava que o ginásio deveria ter sido  informado sobre o cancelamento com 30 dias de antecedência, fato que não ocorreu, pois solicitei o cancelamento com 22 dias de antecedência. Fiquei a pensar o motivo de terem me informado isso com mais de um mês de atraso. Enfim, muitas trocas de e-mails depois, eles entenderam minha situação e cancelaram minha inscrição sem cobranças indevidas. Fiquei feliz com o Holmes Place por ter resolvido essa situação, apesar da demora. Detalhe: quando eles entraram em contato comigo, já estava no Brasil e não havia hipóteses de fazer um pagamento por multibanco de lá.

No segundo caso, a Caixa Geral de Depósitos cancelou minha conta no momento em que fiz o pedido diretamente para o gerente da agência, que até me entregou um papel a confirmar o cancelamento da conta. Outro detalhe: cobraram-me €3,00 para que eu pudesse levantar o dinheiro que estava na minha própria conta. Algo impensável no banco que eu tenho conta no Brasil. O engraçado dessa história é que 3 meses depois do cancelamento efetuado, continuo a receber extratos de minha conta supostamente cancelada, onde consta 2 cêntimos em débito. Já falei com o mesmo gerente novamente, mas esse mês voltei a receber extratos de uma conta inativa e até uma carta com as novas políticas do banco. Não percebo a razão deles gastarem tempo e dinheiro com correspondência para pessoas que não são mais clientes.

Mas a melhor experiência de todas tive com a TMN. Pesquisei, analisei a proposta do serviço em questão e cheguei a conclusão que a longo prazo era muito melhor optar por um serviço de telefonia pós-pago. Até a atendente da loja deu a entender que era melhor ficar com um serviço pré-pago. Não acreditei nela, confiei na empresa e logo na primeira fatura cobraram-me duas vezes pelas mesma coisa. Muitos meses se passaram, muitas visitas a várias lojas da TMN foram feitas e mesmo depois de terem admitido o abuso de confiança com o cliente, neste caso, eu, e de terem dado um papel a confirmar o cancelamento da conta, continuo a receber faturas. Detalhe 3: a conta nunca mais foi utilizada e o chip já foi destruído. Para minha alegria momentânea, recebi uma chamada da TMN 3 semanas atrás a dizer que minha última fatura (as outras 3 pode esquecer) foi cancelada e que até teria uma carta de crédito. Até agora, estou a espera.

Depois dessas experiências com empresas diferentes de serviços tão distintos, chego a conclusão que as empresas estão tão sedentas por dinheiro que não respeitam nada nem ninguém. É preciso estar com os olhos bem abertos, ter muita atenção com as faturas, com os contratos assinados e não deixar passar cobranças indevidas. Hoje não recomendo serviços pós-pagos para ninguém. Se até as bombas de gasolina só aceitam pré-pagamento, porque nós consumidores deveríamos aceitar pós-pagamentos? Débito direto em conta? Nem pensar!

Gostaria de voltar para o Holmes Place, mas eles só oferecem inscrições com débito direto em conta. Fiquei com o Jamor, que cobra antecipadamente pelas aulas e você não precisa informar o número da sua conta bancária para ser sócio. Gostava da TMN, mas fico com a Vodafone mesmo através do meu chip pré-pago. E banco? É quase impossível fugir deles, mas fico atenta a cada cêntimo cobrado e não confio em mais nenhum. Até o gás da minha casa é de botija, pois compro a garrafa antes de usá-la e não tenho sustos no fim do mês.

Nem tudo são flores, mas se todos partilhássemos experiências desse tipo, não seríamos enganados com tanta facilidade. Espero ter ajudado aos amigos do Bules não serem ludibriados como eu fui. E fiquemos de olhos abertos.


2 comentários:

  1. Passo e passei por muitas situaçoes da mesma especie... CLIX nunca mais na vida - Compras no Continente so como ultima opçao e seguros de saude "estou fora"... infelizmente a sensaçao que tenho e de que trocar o Brasil por Portugal e quase como comparar 6 com 1/2 duzia... Affffeeee!!!!

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  2. Obviamente que as companhias não são nossas amigas e, apesar de até poderem parecer o contrário, o que querem é fazer lucro. Sempre me pareceu que o pagamento por transferência directa é dar um poder exagerado às empresas que prestam os serviços: basta um erro informático, uma avaria do equipamento, um dado mal inserido por um funcionário e corremos o risco de ter mais uns dígitos (indevidos) nas facturas!
    Depois os desgraçados dos call centers e dos balcões das lojas servem de barreira corta-fogo pois se entretanto o cliente desistir da queixa todos os trocos que ficam são lucro! Para se aderir tudo são facilidades, para se prescindir tudo são dificuldades.
    Também não é novidade que para se encerrar uma conta há que pagar as despesas desse encerramento: sinceramente, 3 euros são peanuts em comparação ao que outros bancos estão a cobrar pelo mesmo 'serviço'. Há muitos anos que é assim. Se formos para o tema 'despesas de manutenção' é outro mundo! Os bancos também nunca foram os nossos 'melhores amigos'.
    Enquanto existirem outras companhias que nos prestem o mesmo serviço, sempre podemos 'castigar' as que nos prestaram um mau.
    Agora: este é um mal exclusivamente português?! Pois não é, e isso posso afirmar tendo como base outras experiências (a maioria europeias)!
    Resta-nos reclamar os nossos direitos enquanto consumidores, ler as letras pequeninas nos contractos, utilizar os livros de reclamação e não nos colocar a 'jeito'!!!

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