quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Culturas Estrangeiras em Portugal. Japão. Salão de Chá Luso Japonês Castella do Paulo.


Paulistano de verdade já teve ou ainda tem um amiguinho japonês. Ou melhor, filho ou neto de japoneses. Verdade ou não é? Na cidade, é muito comum encontrar alguém com os olhinhos levemente puxados. A moda da comida japonesa pegou em cheio o gosto paulistano e o que mais encontramos em São Paulo é restaurante japonês com algum nipônico (ou descendente) por trás do balcão.

Já aqui em Lisboa, é mais fácil ver cabeça de bacalhau do que ver japonês caminhando pela rua. E isso me deixa cheia de saudades! Saudade do meu pai japinha Koitu, da minha sobrinha linda que nasceu com cara de japinha, do meu tio Koji, do Soho, meu cabeleireiro Akira, do meu dentista Setuo, do  tintureiro, do dono da banca de pastel na feira, da comida japonesa e do comportamento japonês.  Os pouquíssimos que aqui vi estavam a turismo. Mas como já diz o ditado, quem procura acha,  demorou, mas encontrei um refúgio para os dias que a saudade apertar forte.

Encontrei um pequeno segredo que vai completar 10 anos em Lisboa em breve. 

O meu Paulo na Castella do Paulo

O dono é português, ou melhor, é o Paulo, que faz a Castella e ao seu lado, uma japonesa. Japonesa de verdade, não japonesinha fajuta que tem no Brasil, rsrsrs, (ainda não descobri o nome dela, mas quando descobrir, conto para vocês). O cardápio não oferece temaki e sashimi, mas tem gohan, misô quentinho e tofu. Para beber? Banchá! Coisas que japonês não vive sem.



Quando visitei o salão, ainda vazio, estava a japonesa atrás do balcão, toda simpática. Depois chegaram três japonesinhas com cara de turistas para comer. E quando percebi, o salão já estava lotado. Não fui para o chá e sim para o almoço, que tem preços justos, comida leve e deliciosa. O que não podia deixar de provar era a sobremesa. Vou pedir desculpas, porque não entendi o nome da sobremesa, a japonesa falou muito rapidinho e fiquei sem perceber, mas era uma delícia feita de morango, chantilly e um pão de ló (será que era o Castella?) bem molhadinho. Simples e saboroso, um doce dos deuses.



Voltei feliz para a casa, com a fome e a saudade saciadas pelo misoshiro com sabor à almoço de domingo em família. E mais feliz por, finalmente, ter encontrado um cantinho japonês na minha cidade favorita: Lisboa.



Curiosidades:
*  A imigração japonesa no Brasil começou no início do século XX, através de um acordo entre o governo japonês e o brasileiro. Atualmente, o Brasil abriga a maior população japonesa fora do Japão com cerca de 1,5 milhão de nikkeis (termo usado para denominar os japoneses e seus descendentes).



* Dia 18 de junho é comemorado o dia da Imigração Japonesa no Brasil, data que o primeiro navio chegou ao Brasil com imigrantes japoneses.

* A existência de numerosas palavras japonesas de origem portuguesa resulta da chegada ao Japão dos portugueses em 1542-1543, sendo os primeiros europeus a aportar e a estabelecer um fluxo contínuo e direto de comércio entre o Japão e a Europa. Tempura (empanado frito), furasuko (frasco), shōro (choro) são alguns exemplos. Ao contrário do que dizem, arigatô não é uma palavra de origem portuguesa.



* Em 2010, a ACIDI contabilizava um comunidade de apenas 500 japoneses em Portugal, sendo eles essencialmente trabalhadores independentes, quadros superiores de empresas japonesas ou estudantes universitários que frequentam os cursos de português nas universidades.




2 comentários:

  1. Que coisas interessantes tu nos fazes descobrir. Obrigada Débora:)

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  2. Afinal nesta terra também há bules que não babam! :)
    O castella de chá (verde) é muito bom.

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