sábado, 3 de novembro de 2012

Culturas estrangeiras em Portugal.



Sou um produto da globalização, filha de pais brasileiros, onde a miscigenação é a semente desse povo, desde sempre estive acostumada com as diferenças culturais. Meu pai, filho de japoneses, e minha mãe, fruto da mistura de portugueses, espanhóis, índios, negros e vai saber mais o quê, ensinou-me a viver numa cultura completamente misturada.
Pelas ruas de São Paulo essa mistura é muito nítida. Desde pequeno, na escola estamos acostumados  a perguntar de qual país sua família é descendente. Aqui em Lisboa é comum perguntarem de qual terrinha pertence sua família, porque é difícil encontrar alguém que nasceu, cresceu e viveu em Lisboa – um autêntico alfacinha. Aprendemos a pronunciar sobrenomes em alemão (Gisele Bünchen), italiano (Rubens Barrichello), espanhol (Ivete Sangalo) ou português (Fernando Henrique Cardoso). Não há um padrão, as pessoas são loiras de olhos verdes, branquelas com o cabelo sarará crioulo, até negro de olhinho puxado eu já vi, ou seja, praticamente todo mundo no Brasil é mestiço. Afinal, brasileiro puro é o índio que já estava naquelas terras quando chegaram os primeiros descobridores (estima-se que havia 6 milhões de índios quando os descobridores chegaram no Brasil).



Mesmo assim, eu me surpreendi com Lisboa ao ver os estrangeiros. Aqui há gente do mundo todo, a turismo, a viver ou a trabalhar cá. O que mais gostei de ver é que essa mistura não está nos genes das pessoas (como acontece no povo brasileiro), a mistura está nas ruas, nos mercados, no El Corte Inglès. Aqui, a loira é loira mesmo, nascida e criada na Suécia, o negro é africano de verdade que fala português enrolado e sabe tudo de Moçambique ou Angola, ruivos bem vermelhinhos, asiáticos da China, da Coreia do Sul, do Japão (fica difícil desvendar de onde cada um é), indianos a trabalhar no comércio das lojinhas de souvenirs… Não são  mestiços como eu ou como tantos outros brasileiros.
Isso me encantou. Por estar na Europa, Lisboa sempre tem sua porta aberta para os outros países da União Europeia, então tive a chance de ver e conversar com pessoas de países que raramente ou que nunca encontrei no Brasil. Adoro quando encontro gente da Eurásia. Já ganhei gorjeta de um simpático e generoso norueguês, comprei um carro de um casal ucraniano, tive uma colega de classe russa, ou até mesmo, vejo aqueles ciganos, de verdade, vindos da Romênia.

Esse mês vou homenagear aqui Na Terra dos Bules que Babam essa globalização. E contar um pouco sobre o que aprendi com outras culturas que tive a chance de conhecer em Portugal.

Os anúncios da Benetton sempre valorizam a diversidade cultural


Aguarde os novos artigos e quem sabe, você também não fica com vontade de se aventurar por outras culturas, de outros povos, de outros sabores e novos conhecimentos?

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